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quarta-feira, julho 21, 2010

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saí­do da mente de Jorge Amorim às 11:23 da manhã
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sexta-feira, julho 16, 2010

Parece-me bem...

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saí­do da mente de Jorge Amorim às 11:04 da manhã
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terça-feira, julho 13, 2010


Pois é, fico uns tempos sem escrever neste blog e quando volto é para dar registo de óbito.

Morreu ontem Harvey Pekar. O autor norte-americano foi encontrado morto na sua casa pela esposa, não se conhecendo ainda as causas da morte (especula-se que foi vítima do cancro que tinha na próstata).

Harvey Pekar tornou-se um dos mais célebres criadores de banda-desenhada underground dos Estados Unidos da América, graças à série de livros American Splendor. Esta obra autobiográfica narrava o quotidiano de Pekar, cujo temperamento difícil potenciava as mais diversas atribulações. Outra obra marcante do autor é Our Cancer Year, centrada na luta de Pekar contra um linfoma.

Em 2003, Harvey Pekar viu a sua vida transporta também para o cinema no filme com o mesmo nome das obras de banda-desenhada, American Splendor. Coube ao actor Paul Giamatti dar vida ao Harvey Pekar ficcional, alternando com o próprio Harvey Pekar.

Morto o homem, ficam as obras para a posteridade.

saí­do da mente de Nuno Miguel Lopes às 6:51 da tarde
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sexta-feira, julho 09, 2010

Fiquei a salivar pela continuação...
Ai Grant Morrison como consegues fazer que os comics de super-heróis continuem a valer a pena...

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saí­do da mente de Jorge Amorim às 12:24 da manhã
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terça-feira, julho 06, 2010
Conhecemos o Carlos Pedro pelos seus desenhos no Super Pig, temos vindo a conversar com ele em diversas situações e sabemos que é completamente viciado e dedicado à Banda Desenhada. Em Julho ele vai ser o convidado de hoje da famosa Tertúlia da Banda Desenhada e pareceu-nos uma boa altura para o convidar para uma conversa aqui no blog.


Jorge (J): Ora bem, Carlos, vamos começar! Tu e BD: como e porquê?

Carlos Pedro (C): Bem o como...

O como foi graças à minha avó paterna. Eu tive a sorte de ter uns avós que ficaram comigo até aos seis anos de idade, quando entrei para a primeira classe. Um dia, já não me recordo bem porquê, provavelmente porque tinham achado piada e queriam entreter-me, ou só para me mimar a minha avó comprou-me aquele que foi o meu 1º livro de banda desenhada. Era um livro da Disney, a adaptação dos filmes Peter Pan e do filme Fantasia para banda desenhada. Lembro-me que devia ter 4 ou 5 anos e lembro-me também que adorei.Era uma sensação estranha ver aqueles desenhos cheios de cor que apesar de serem formas estáticas pareciam mover-se como se tivessem vida. A partir daí foi sempre a somar. Comecei a cravar os meus pais todas as semanas. Comecei pela Disney, depois descobri a obra do Maurício de Sousa e aos oito anos o meu pai em vez de me comprar um livro da Mónica cometeu o erro e comprou-me o meu primeiro comic americano, não me recordo com precisão qual foi, mas sei que ou foi o "what if the X-Men have lost Inferno" ou uma história qualquer do Homem-Aranha do início dos anos 90, antes de clones e afins aparecerem à força toda...O porquê... Bem acho que já respondi acima. Eu era um miúdo sossegado e a minha avó deve ter achado uma boa ideia arranjar-me algo com bonecos para me entreter. A verdade é que graças à banda desenhada, e à minha avó, aprendi a ler logo aos 4 anos e entrei para a primeira classe com essa mais valia, para surpresa dos professores.

Abençoada seja ela, onde quer que esteja neste momento.
A representação dos gajos habituais do Bla Bla Bla, oferecida pelo Carlos.

J: E a passagem de leitor a autor, como aconteceu?

C:
A passagem a autor aconteceu quando conheci o Mário Freitas, dono da Kingpin Books e editor do Super Pig entre outros títulos.
Salvo erro foi em 2003 ou 2004 num Festival da Amadora. Eu andava a entrar dentro das edições americanas, estava saído de fresco das edições da Devir, e conheci-o como cliente nessa altura. A única aproximação que tinha tido ao mundo da BD através de um prisma mais como artista que leitor tinha sido através do curso do CITEN, tirando isso desenhava as minhas coisas mas nada de produção de páginas, era o habitual fã que desenhava uns pin-ups. Após conhecer o Mário ele abriu a sua primeira loja física e eu tornei-me cliente. Um dia por curiosidade mostrei-lhe uns rabiscos e ele achou piada. Entretanto passou-se algum tempo e em 2005 ele aproximou-me com a ideia do Super Pig. Confesso que foi algo que me deixou completamente estático como estarrecido. Nunca tinha feito nada que fosse efectivamente um livro, mas obviamente que não ia dizer que não.Lembro-me que devido à faculdade tive que desenhar as 22 páginas no verão, o que me deixou completamente de rastos e chegou a mandar-me para o hospital com valentes cefaleias devido a falta de sono e stress. Mas passado quase 5 anos valeu mais que a pena. Depois disso e aprendida a lição de gerir o tempo e quanto trabalho dá produzir 22 páginas de arte passámos a planos cada vez mais ambiciosos e temos sido colaboradores frequentes.A coisa boa de se trabalhar com o Mário é que para além de ser uma pessoa com muito bom gosto e uma cultura vasta é também alguém que consegue balançar extremamente bem a amizade que desenvolvemos com o não ter receio algum de me mandar qualquer tipo de carolos. É alguém sem papas na lingua e que puxa constantemente pelos seus colaboradores. Sinto que aprendi muito desde que comecei a trabalhar com ele e que tive uma sorte desgraçada em o conhecer. ---
Página do Super Pig #1 - Desenhos Carlos Pedro, Arte-Final: Mário Freitas, Cor: Gisela Martins

J: Sabes eu vi uns desenhos teus do Super Pig antes de serem publicados, e achei muito bons. E recentemente tive oportunidade de olhar para esboços teus actuais e ainda estão melhores. O que é que tens feito para desenvolver a tua arte? E em que projectos tens estado envolvido?

C.: Cool, alguém que gosta da minha arte! Desculpem mas eu costumo olhar para as minhas coisas e apetece-me pegar-lhes fogo, sou muito auto-crítico nesse aspecto.
As únicas coisas que posso dizer que faço é continuar a desenhar, o mais constantemente possível, analisar os meus pontos fortes, de forma a poder puxar por eles, e os meus pontos fracos, de forma a deixarem de os ser.

Outra das coisas que tento fazer é ler muito e ter atenção a diferentes tipos de arte.
Se houve algo que me ajudou a compreender como desenhar banda desenhada foi ler Imenso. Com o tempo os gostos evoluem e a sensibilidade aumenta, é recíproco. Desde que comecei a ler comicbooks que comecei a reparar em artistas que não fazia ideia que existiam. Deixei de me preocupar com estilo para pensar em substância, deixei de lado autores como Joe Madureira para ler coisas do Frank Quitely, J.H. Williams, John Cassaday, e muitos outros, mas ao mesmo tempo que os leio tento estudá-los, não numa perspectiva de copiar mas sim de entender o porquê de desenharem como desenham.

É algo que acho que quem se interessa por banda desenhada deve fazer sem medo: estudar os artistas que admiram. Hoje em dia dou por mim a pesquisar por todos os livros que tenho cá por casa para encontrar soluções de transições de paineis ou de ritmos de leitura de vários artistas diferentes e de um espectro bastante diverso, desde manga a comics até franco-belga. Boa arte é sempre inspiradora para criar boa arte.
Quanto a projectos, antes de mais há um que tenho mesmo que terminar: a faculdade. Neste momento dou por mim num momento algo crítico e fantástico em termos profissionais em todas as áreas. Decidi um rumo profissional e vou apontar para ele de forma a poder continuar com a produção de banda desenhada. No preciso momento estou a colaborar numa história curta com um self made publisher chamada Kevin Church (recomendo vivamente que visitem o site www.agreeablecomics.com para verem a magia que este senhor faz) que tive a sorte de conhecer pelo Facebook numa coincidência rara. Ele precisava de alguém para uma colaboração curta, eu arrisquei e mandei uns exemplos do que faço, ele gostou e pronto. E depois tenho aquele que deve ser o meu projecto mais ambicioso até à data. Vai ser uma colaboração com outro amigo do núcleo da Kingpin Books, o fantástico Fernando Dordio, autor do CAOS, com quem já queria trabalhar desde que vi a ambição que ele coloca nas histórias dele. Está ainda num estado muito embrionário. As obrigações laborais ainda não permitiram acelerar o processo criativo mas se correr como estou a planear vai ser algo em grande...

J.: Como é que apresentarias BD a alguém que ainda não tivesse descoberto esta Arte? E que obras sugerias para leitura?

C.: Ui, essa é tramada.
Acho que dependeria um bocado a quem ia apresentar.
Depende sempre do leitor e da personalidade deste, desde os gostos à sensibilidade artística da pessoa em questão. Daí ser sempre subjectivo.
No entanto a meu ver existe sempre um factor base em apresentar exemplos, e foi algo que aprendi no secundário com o meu professor de oficinas de artes: O gostar de algo, o ser bonito ou feio pouco ou nada interessa para a produção de arte.
Se pensarmos então que a regra base de uma boa banda desenhada é contar bem uma história então aí talvez seja possível apontar alguns (bons) exemplos para se apresentarem a alguém que nunca teve uma aproximação a esta arte.
A meu ver para ambientar um leitor às possibilidades desta arte apresentava estes cinco exemplos:

1) Scott Pilgrim - Divertido, acessível, cheio de referências a cultura pop e porrada a rodos, desde batalhas de rock a mega combos como qualquer beat 'em up para a consola caseira. E no final se dissecarmos tudo isto é a coisa mais simples, e talvez também a mais difícil, de se contar: uma história de amor e resposabilidade. Fabuloso a todos os níveis.

2) Umbrella Academy - Humor Negro, viagens no tempo, O zombie do Gustave Eiffel, 7 irmãos um deles tem um corpo de um orangutango espacial, Loucura total, acção e uma arte fenomenal do brasileiro Gabriel Bá. Ah e o mais engraçado: é escrito pelo vocalista dos My Chemical romance. Sim é a coisa mais maluca que se pode imaginar pedir a alguém para ler mas é sem dúvida das melhores coisas para alguém ver o potencial que se tem quando ideias geniais encontram artistas perfeitos.

3) Qualquer coisa escrita pelo Naoki Urasawa - Escolham uma qualquer. 20Th Century Boys, Pluto, Monster, etc. É o melhor criador de banda desenhada a trabalhar actualmente. Ponto. Ninguém chega aos calcanhares do senhor. Podem dizer: "Ah mas é manga".
Mais razão me dão: uma boa história é boa aqui como no japão, uma boa banda desenhada é boa aqui como no japão, Coreia, Burkina Faso ou até no Gana e Urasawa é a prova viva disso mesmo.

4) Local / Demo - Brian Wood escreve bem para caramba e consegue abordar temas que parecem ser extramente triviais mas no entanto torna-os fantásticamente apelativos. O Local conta a história de uma rapariga a achar o seu lugar no mundo e o Demo é uma colecção de pequenas histórias cada uma com uma temática base de pessoas que têm um dom fora do comum. A arte é dada por Ryan Kelly e Becky Cloonan respectivamente. Fantástico a todos os níveis.

5) All-Star Superman - A melhor história de sempre do Super Homem. Digo até mais: uma das melhores histórias de sempre de banda desenhada. Arte fantástica, história perfeita que ilustra as verdadeiras capacidades de escrever uma personagem sem limite até mesmo na morte. Para quem quisesse começar por uma personagem mais conhecida, e quem mais conhecido que o Superman?

Desenho: Carlos Pedro Arte-Final: Mário Freitas Cor: Gisela Martins (interior do Super Pig #4)


J.: Excelentes recomendações! Pessoalmente, acho o Urasawa uma excelente forma de iniciar o contacto com a BD.
Fora da Bd, quais são as tuas influências?

C.: É um bocado difícil apontar referências concretas, existem diversas obras ou momentos de cultura pop que me marcaram muito mas que apesar de tudo são recentes ( sou um filho do final da década de 90 início de 2000's por isso...).
Em termos de cinema posso dizer que um dos filmes que mais me marcou foi o Matrix. Nunca tinha visto nada assim e mostrou-me como se pode contar um fabuloso filme de acção mas sem tomar o espectador como um idiota chapado. A mistura de estilos e influências fez-me procurar saber mais sobre os mais diversos tópicos, desde cinema sci-fi a cultura nipónica. Ainda em cinema posso dizer que sou fã acérrimo dos filmes de Quentin Tarantino, Christopher Nolan, David Fincher e Clint Eastwood.

Em termos musicais sou alguém que ouve de tudo um pouco mas tenho um grande amor por música electrónica. Acho fabuloso como se pode construir melodias e batidas hipnotizantes através de algo tão artificial como os suportes digitais. Adoro bandas como The Prodigy, Daft Punk, The Chemical Brothers, MSTRKRFT, Justice e por aí. No entanto também sou consumidor massivo da onda de rock britânico que surgiu nesta década, bandas como Franz Ferdinand (Maióres da sua aldeia!!!), Bloc Party, Artic Monkeys, etc, e que já me fizeram procurar bandas de outras épocas para perceber as suas influências, como por exemplo Joy Division, Duran Duran, The Smiths, etc. Sou uma pessoa eclética nesse aspecto, tanto posso começar o dia com Nirvana como acabá-lo a ouvir Deolinda.

Em termos de literatura a grande influência para mim foi a obra de Tolkien, o Senhor dos Anéis, que li aos 14 anos. Gosto bastante de literatura fantástica mas dou por mim com cada vez menos tempo para ler algo que não tenha a ver com banda desenhada ou arquitectura, devido a motivos de trabalho.

No entanto um influência fulcral na minha vida são sem dúvida os meus pais, que sempre me suportaram e acreditaram em mim e ensinaram que só com trabalho se atinge resultados na vida. Daí serem de certeza os melhores ídolos que poderia ter.

Lex Luthor do Carlos

J.: Agradecemos imenso a tua disponibilidade em nos responderes. Aqui continuaremos a acompanhar o teu trabalho. Mas uma última coisa...
Ouvimos um rumor que o nosso blog mudou drasticamente a tua forma de te situar neste Universo. Que tens a dizer sobre isto? (E lembra-te que temos uma arma apontada à tua cabeça)

C.: Abanou o meu Mundo completamente!!!
É fabuloso o que se consegue fazer com uma sala trancada à chave com dois chimpanzés, dois portáteis com wireless, alguma comida e um stack semanal de comicbooks lá dentro. A ciência é uma coisa fabulosa!

(uma bala é disparada e acabaram-se logo as piadolas)

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saí­do da mente de Jorge Amorim às 11:36 da manhã
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quinta-feira, julho 01, 2010
Lá estarei no próximo encontro e, muito em breve, vamos aqui apresentar uma entrevista que fizemos ao convidado deste mês da tertúlia.

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saí­do da mente de Jorge Amorim às 10:33 da manhã
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