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sábado, julho 18, 2009
O ano de 1986 é uma data memorável na história da banda desenhada: é o ano de publicação das incontornáveis obras de referência Watchmen, de Alan Moore e Dave Gibbons, e de Batman: The Dark Knight Returns, de Frank Miller. Estas duas obras marcaram uma viragem nos comics de super-heróis – desconstruíram a figura dos indivíduos mascarados, paladinos pela lei e pela justiça, como poucas obras o haviam feito antes. Considerando a já vasta carreira de Miller na banda desenhada, o ano de 1986 é normalmente aclamado como o ano da sua opus magnus, a já referida Batman: The Dark Knight Returns. Mas o mesmo ano marca a publicação de outra obra de Miller que, não tendo tanto protagonismo, também merece destaque: Daredevil: Born Again.

Frank Miller começou a escrever histórias de Daredevil no final da década de 1970 (mais concretamente, a primeira história do Homem sem Medo escrita por Miller apareceu no número 158, datado de Maio de 1979). Cedo se notaram algumas das marcas que caracterizariam o estilo de Miller: a influência do film noir; a complexidade psicológica das personagens; os contornos precisos dos edifícios citadinos, de forma a conferir uma atmosfera mais realista à acção. As histórias de Daredevil da autoria de Miller tiveram um êxito tão grande, que o escritor/artista seria associado à personagem (assim como mais tarde seria também associado a Batman). Daredevil: Born Again é, muito provavelmente, a melhor história de Matt Murdock escrita por Frank Miller. Sim, de Matt Murdock. Porque Born Again é, acima de tudo, uma história centrada em Matt Murdock e não tanto no seu alter-ego Daredevil.


A história de Daredevil: Born Again resume-se facilmente: uma ex-namorada de Matt Murdock vende a verdadeira identidade de Daredevil em troca de uma dose de heroína. A informação chega às mãos do rei do crime, Kingpin, que trata de accionar um plano para destruir Matt Murdock/Daredevil. Perdendo tudo, Murdock irá ter uma descida aos infernos, antes de renascer. O que torna a intriga de Daredevil: Born Again tão cativante é a forma como Kingpin urde a trama para destruir Matt Murdock/Daredevil: em vez de recorrer ao assassínio imediato, o rei do crime irá fazer com que Murdock perca tudo, numa confluência de acasos que fazem com que a queda de Murdock seja vista como causada por si próprio e não por outrem, de modo a que a morte pareça um mal menor – ou seja, Kingpin pretende assassinar socialmente o seu inimigo, antes da morte física.

Murdock, já sem emprego, perde a namorada (que se irá depois aproximar do melhor amigo de Murdock), vê as suas contas serem congeladas pelo IRS por suspeitas de vários crimes, perde a casa por falta de pagamento ao banco (e depois, através de uma explosão) e quase perde a sua sanidade mental. Afastado dos amigos, com a sua reputação quebrada, Murdock é espancado, esfaqueado e deixado a morrer num beco. Os alicerces para se erguer novamente surgirão numa misteriosa figura do seu passado e… na mulher que provocou a sua queda.

Para além dos requintes de malvadez de Kingpin na forma como causa a derrocada do seu inimigo, Daredevil: Born Again é marcado pela densidade psicológica das suas personagens. Em vez de exibir frenéticas cenas de luta espalhafatosamente coreografadas (como acontece em tantos comics de super-heróis de autores menores), Frank Miller privilegia os dramas pessoais de cada personagem e a forma como os acontecimentos os afectam. É na relação entre as personagens e no que se passa no seu íntimo que se centra Born Again. Logo, desenganem-se aqueles que esperam encontrar aqui mais uma história de acção, com muita violência à mistura.

Obviamente que também encontramos acção e cenas de luta; mas Born Again é, primeiramente, um drama de super-heróis! Àqueles a quem esta denominação possa causar estranheza ou um franzir de sobrancelha, o conselho é: aventurem-se nesta história e verão a riqueza que retiram dela. Riqueza de quê? Pois bem, aventurem-se e descubram.

Falta falar ainda da colaboração de David Mazzucchelli, enquanto artista de Daredevil: Born Again. Autor de um traço sóbrio e bem delineado, a arte de Mazzucchelli em muito contribui para a história e para o desenvolvimento do enredo. Preferindo um minimalismo artístico, Mazzucchelli inteligentemente percebe que menos pode ser mais, ao não inundar as vinhetas com pormenores acessórios e pouco relevantes para a narrativa: veja-se por exemplo a ausência de pormenores de fundo em diversas vinhetas, obrigando o leitor a concentrar-se apenas nas personagens ou na acção que decorre. A arte de Mazzucchelli funciona muito bem pois não chama a atenção toda para si – se por vezes há boas histórias que são destruídas pela arte (e vice-versa), em Born Again tudo tem a sua medida certa, e o “casamento” entre arte e história é bem sucedido. A expressão das personagens tem um toque de genuinidade e os momentos de tensão e de maior carga emocional não são estragados por uma rigidez física (como outros artistas tanto gostam de fazer, sobrecarregando os rostos com linhas demasiado rígidas, visando um maior realismo). Realce-se ainda a cidade onde se desenrola a narrativa, cujos contornos causam uma sensação frieza (e não apenas por causa da neve), de sujidade, de escuridão, e com um aspecto decrépito. É este cenário pouco acolhedor que apropriadamente serve de palco à queda de um homem que perde tudo, enfatizando ainda mais a miséria que se instaura na vida de Matt Murdock. Como última nota à arte de Mazzucchelli fica o bem enquadrado jogo de sombras e contraste, quer das personagens, quer do meio em redor.

Assim como Batman: The Dark Knight Returns, Batman: Year One e os volumes de Sin City, também Daredevil: Born Again merece um lugar na prateleira dos apreciadores de Frank Miller (ou dos comics vindos da Terra do Tio Sam). Poderá até parecer que Miller já não tem o fôlego de antigamente (ver o recente All Star Batman & Robin the Boy Wonder), mas a verdade é que do seu lápis saíram algumas das melhores obras da banda desenhada mundial – e Born Again é, sem dúvida, uma delas. Obrigatória para os fãs de Daredevil; recomendada a todos os que não gostam do Homem sem Medo.


Texto: Nuno Lopes

Etiquetas: ,

saí­do da mente de Jorge Amorim às 4:23 da tarde
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3 Comentários:
Muito bem, Nuno. Fico muito feliz em sentir que estou a contribuir para gerar uma bela fornada de críticos de BD ;)

Apenas um reparo: O Daredevil 158 foi o primeiro número DESENHADO pelo Miiler, mas o argumento era então do Roger McKenzie. O Miller só assumiu a escrita cerca de ano e meio mais tarde no nº168 (o título era então bimestral), onde introduziu de imediato a mítica Elektra.

Saí­do da mente de Blogger Mário Freitas, às 12:07 da tarde

 
Uups, erro meu ao consultar as fontes! Obrigado pelo reparo, Mário.

Saí­do da mente de Blogger Nuno Miguel Lopes, às 7:00 da tarde

 
Essa historia eu nunca li. :(
Gostei do texto.

Saí­do da mente de Anonymous kitt, às 3:05 da manhã

 

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