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quinta-feira, junho 29, 2006
E para me estrear nos posts, que não serão muitos, vou apresentar-vos o Teaser do momento. Estou a falar o recém-estreado teaser do Spider-Man 3.

Aproveitando o facto do mesmo já andar a circular em formato 4:3 no YouTube, deixo-vos com o Teaser propriamente dito.



Entretanto, quando andava em pesquisas no YouTube, , encontrei também isto:



E foi a minha estreia aqui no blog...

Para mais informações, podem consultar o site oficial do Spider Man 3:

sony.com/spider-man
saí­do da mente de Phil às 2:11 da tarde
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quarta-feira, junho 21, 2006
Este comic foi, para mim, uma surpresa tremenda.
É a história de alguém cujo nome, ao longo da sua vida, se tornou lendário.
É a história de um pequeno miúdo escoçês que, ao falhar como engraxador em 1877, decide que dedicará a sua vida á busca pela fortuna.
É a aventura épica de alguém que passa décadas a tentar enriquecer, apenas para ir perdendo a sua humanidade á medida que acumula riquezas, só a recuperando quando, já septuagenário, conhece os membros restantes da família que abandonou.
E sim...
...É a história de um pato.



Exacto. É a história do Tio Patinhas.
Não se riam. Garanto-vos que não estava a ser minimamente irónico.
Este comic é muito, muito bom.
O Tio Patinhas, como podem ou não saber, foi originalmente criado por Carl Barks, o mais reconhecido dos autores que trabalharam com os patos da Disney. Aliás, nem sei se já eram "patos", ou se só existia o Donald. Talvez já existissem os sobrinhos, não tenho a certeza. Qualquer dos casos, Barks desde logo criou um estilo muito próprio para as suas histórias. A maioria delas eram grande aventuras, percorrendo o globo, visitando terras e civilizações reais ou imaginárias, mas sempre excitantes. Mas mais que isso, Barks criou uma árvore genealógica para o Donald, e as suas histórias passaram a ser populadas por parentes que se viriam a tornar mais ou menos famosos. O mais popular destes novos parentes é, precisamente, o Tio Patinhas.
Parte da razão pela qual o Tio Patinhas acabou por se tornar, discutivelmente, o mais famoso dos patos, será o facto de ser um personagem bastante mais rico que os outros (não, não estou a falar do dinheiro). O pato, já velho, mas sempre cheio de energia (quase sempre usada para proteger a sua fortuna ou para percorrer o mundo tentando aumentá-la), citava constantemente as aventuras da sua juventude, o que acabava por lhe dar algo que faltava á maioria das personagens Disney: um passado.
E é esse passado que é contado neste comic. Não todo, claro, há sempre espaço para mais, mas Don Rosa, o autor, focou os 12 capítulos desta história nas principais fases da vida do Tio Patinhas. Rosa, um fã mais que assumido da obra de Barks, juntou as referências feitas ao passado do Patinhas em todas as histórias do seu criador, por mais pequenas que fossem, e consolidou-as todas numa história que é, assumidamente, para crianças, mas que dá tamanha dimensão ao protagonista, e é contada com tal riqueza narrativa (quer escondida nos pormenores dos desenhos, quer apresentada como subtexto não muito "sub"), que acaba por agradar também aos adultos. Não é á toa, aliás, que esta história ganhou o Eisner para a melhor série.
Em suma, The Life And Times Of Scrooge McDuck conta-nos uma história que nem sonhávamos que nos interessaria, alterando a nossa percepção de um dos maiores ícones da cultura popular do século 20, sem se esquecer público infantil para o qual o personagem foi criado.
Não deixem de ler só porque tem um pato de cartola na capa, ok?
saí­do da mente de Luís F. Alves às 2:15 da tarde
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sexta-feira, junho 09, 2006



Fica aqui para quem não conhece ou para os que quiserem rever. Uma coisa que acho curiosa: a letra da música.
saí­do da mente de Jorge Amorim às 7:12 da tarde
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quarta-feira, junho 07, 2006
Novembro é data prevista para o lançamento de Absolute Sandman Volume 1 que reunirá os primeiros 20 comics da série "The Sandman" (do mestre Neil Gaiman). Absolute Sandman contará com um retoque das cores, algo que me parece fundamental para podermos apreciar melhor aqueles argumentos fantásticos que tanto dinheiro me fizeram gastar (mas que foi merecido, já que considero uma das melhores séries que alguma vez li).
Deixo aqui um exemplo do retoque das cores:


Cores originais




Cores retocadas






(até estou com um sorriso meio aparvalhado a pensar se valerá a pena comprar, eu sei que tenho a série toda mas...)
saí­do da mente de Jorge Amorim às 10:49 da manhã
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sábado, junho 03, 2006


Quando eu for grande, quero falar como o Warren Ellis escreve.

Este é o meu segundo texto para este site, e é o segundo em que falo do Warren Ellis. Há boas razões para isso. Para já, ele é um dos melhores escritores de banda desenhada a trabalhar actualmente.Depois, é também um dos mais versáteis.
O comic de que vou falar aqui chama-se FELL, e não podia ser mais diferente do que falei da outra vez. Há tanto a dizer sobre o FELL, que nem sei bem por onde começar.
Acho que vou começar pelo mais simples: a história.
Richard Fell é um detective da polícia que foi transferido, por razões desconhecidas, da metrópole onde vivia, para Snowtown, uma cidade pequena (vila?) que tem exactamente três detectives e meio no activo (não vou explicar de onde vem o meio, para isso têm que ler o comic, desculpem). E nenhum deles é muito bom. O que, considerando o tipo de cidade que Snowtown é, não deixa de ser apropriado. Snowtown é o que se chama por aí de "feral city". Não sei qual é o termo em português, por isso nem vou arriscar traduzir. A melhor maneira de descrever é pedir-vos para pensar num daqueles centros comerciais de bairro, aqueles que eram excelentes quando apareceram, e toda a gente lá ia, mas que com o passar do tempo, foram sendo esquecidos, foram-se degradando, e agora só têm lá dentro 3 ou 4 lojas a funcionar, e o resto está ao abandono. Cruzem esse conceito com o de bairro de lata, e expandam a escala, e ficam com a ideia de como Snowtown é.
E é isso, basicamente. Uma cidade degradada, meia dúzia de personagens recorrentes, e um protagonista a tentar fazer o melhor que pode, primeiro no trabalho, e depois na sua vida, se é que consegue separar as duas coisas.
A arte é pelo Ben Templesmith, artista com um estilo que normalmente não me agrada, mas isso é mais por gosto pessoal que por falta de qualidade. Ele é bom no que faz (normalmente são comics de terror), mas o que ele faz não me costuma dizer muito. Isto dito, a arte deste comic é excelente, e funciona de forma perfeita. Há comics que podiam funcionar com diversos tipos de arte e artistas, mas este não.
O que nos traz á parte mais dificil de discutir: o formato.
A ideia para este comic começou, precisamente, com o formato. O Ellis queria fazer um comic mais barato, mais acessível, e a forma que lhe ocorreu para fazer isso foi cortando no número de páginas de história. Além disso, queria também criar um comic baseado só num conceito. Um comic que não tivesse um story-arc prolongado, que não precisasse de ser pensado com demasiada antecedência. Como concluiu que um comic sem story-arc se presta a histórias contadas num só número, sem aquele "to be continued" irritante no final, e isso, por sua vez, torna o comic mais acessível, o Ellis decidiu juntar as duas ideias.
O problema que se lhe pôs foi que para contar uma história inteira num comic de 16 páginas com o seu estilo normal, estaria a defraudar o leitor, uma vez que o comic teria pouco conteúdo. Logo, teve que conceber um modo de devolver ao comic esse conteúdo perdido, o que implicava brincar com o formato de apresentação da história.
Primeira medida nesse sentido: a história teria que ser escrita para 22 páginas, e só depois o guião seria condensado, de forma a encaixar nas 16. A forma que o Ellis encontrou para fazer isto foi usar uma grelha fixa de 9 painéis por página, podendo ser usados variantes da grelha (fundir painéis, cortá-los ao meio, usar o espaço entre eles, etc) para efeitos de ênfase e ritmo. É aqui que entra o artista. Num formato tão rígido, o artista escolhido teria que ser excepcional em termos de criar atmosfera sem perder a noção de storytelling, e o Templesmith é, tenho que o admitir, perfeito para isso.
Segunda medida: acrescentar páginas de texto. No final de cada história, há sempre 3 ou 4 páginas só de texto, com o escritor a descrever a sua inspiração para a história do número em particular, ou os métodos de storytelling usados, ou ambas as coisas, ou nenhuma. Seja qual for o texto no final, é sempre interessante, e ilustra sempre algo do que o Ellis tentou fazer. Muitas vezes, até vêm incluidos trechos do guião, para que possamos analisar em pormenor determinado efeito.
O resultado de tudo isto é uma experiência que, na minha opinião, é simplesmente única. FELL é, neste momento, o comic a ler por quem se interessa pela mecânica e arte dos comics, e acima de tudo, por quem gosta de histórias policiais curtas, densas, inteligentes, absorventes, e claro, baratas.
Porque por 2.5€, é algo que nenhum apreciador de bons comics se pode dar ao luxo de perder.
saí­do da mente de Luís F. Alves às 7:55 da tarde
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